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Domingo, Fevereiro 27, 2005
Regulamentação da profissional do sexo em debate
Encarar um problema como sendo "natural", e buscando, desta forma, adequá-lo a uma realidade socio-político-econômica que se proclama imutável, é o primeiro passo para reforçar a lógica do sistema. O Projeto de Lei proposto pelo deputado federal Eduardo Valverde (PT-RO), propondo a regularização dos profissionais do sexo, se coloca como progressista, mas, longe disso, nasce de uma das concepções mais conservadoras da nossa sociedade: a idéia de que comercializar o próprio corpo e vendê-lo como mercadoria é resultante da escolha da mulher ou homem que o faz, e não conseqüência de uma sociedade mercantilista, na qual o valor material está acima do humano.
É estranho que a defesa de um projeto se coloque a partir do controle da(o) prostituta(o) sobre seu próprio corpo, quando na verdade é o contrário: o capital controla o corpo, pois a escolha do parceiro(a) se dá pelo fator econômico, não emocional. E não estamos colocando o fato de forma conservadora: acreditamos que a dita "libertinagem" (como é classificada pela sociedade burguesa a troca constante de parceiros) é resultante de uma moral sexual repressora, e que a criminalização da prostituição também é um erro. Mas daí a ser regulamentada pelo Estado como profissão é, mais do que admitir, incentivar uma prática que rebaixa o ser humano à condição de mercadoria, degradando-o física e psicologicamente.
Mas o problema vai além: o projeto incentiva a exploração da prostituição por terceiros, o que fortalece o mercado do sexo e não contribui em nada para reduzir a violência no meio. A garantia da saúde dessas pessoas não está ligada à regularização da "profissão", mas à boa qualidade do Sistema Único de Saúde (SUS) e a informações sobre DST e Aids, cujo alcance deve ser para toda a sociedade. O Estado que se auto-proclama progressista, com todos os limites da sociedade capitalista, deveria se preocupar em garantir os direitos básicos aos brasileiros. Para que a liberdade sexual não nos transpareça disfarçada de profissão regularizada. A quebra dos valores morais conservadores e a melhoria da qualidade de vida não passam, definitivamente, por esse projeto de lei.
12:10 AM
Vamos à luta:
Encontro Nacional de Mulheres
Se olharmos a discriminação sob a ótica das relações de gênero, é preciso ter clareza que a questão de gênero não é só coisa de mulher, não é biológico, nem de anatomia, ou da diferença entre macho e fêmea. A desigualdade de gênero é uma construção cultural, incorporada a todos nós: mulheres e homens, feministas e não-feministas.
Herdamos da nossa sociedade uma cultura patriarcal, machista, preconceituosa, excludente, que ignora o acesso da mulher aos diferentes segmentos da sociedade. O debate de gênero se constitui, efetivamente, como um ato político e ele deve articular, como em outros temas, a pesquisa, formação e ação.
A afirmação de que é necessário um debate de ¿gênero e a construção de um movimento estudantil feminista, no qual as mulheres possam se auto-organizar para combater o machismo e protagonizar a construção de uma outra sociedade¿ aparece como alternativa para se chegar à mudança.
Com a experiência do Encontro de Mulheres da UNE, realizado em 1987, e partindo do grande avanço da realização do ENUDS (Encontro Nacional de Universitários pela Diversidade Sexual), estaremos agora buscando um novo olhar sobre a universidade. Olhar este que permitirá o acesso sem discriminação para aqueles que o capitalismo e o moralismo da sociedade se encarregaram de excluir.
Em março de 2005, estaremos promovendo o Encontro de Mulheres Estudantes, que visa sensibilizar companheiras para a luta feminista e garantir consequência política para o movimento estudantil. Para tanto, tal evento não pode ser visto como um fim em si mesmo, mas como início de um longo processo de mudança, partindo dos alicerces. Seu maior objetivo é proporcionar um olhar feminista sob a universidade e um maior diálogo entre o movimento estudantil e o movimento de mulheres. Se você acredita que outra visão é possível para a nossa sociedade, participe e seja protagonista de uma outra história.
12:09 AM
Vamos à luta:
Informes
O Coletivo de Mulheres da Ufal possui uma lista de discussão na Internet. Para se inscrever, basta enviar um e-mail em branco para o endereço eletrônico coletivomulheres-subscribe@yahoogrupos.com.br, e depois confirmar a inscrição. Nosso e-mail é
Se você também acha importante discutir gênero, participe do Coletivo e contribua com a construção desta luta.
12:06 AM
Vamos à luta:
Opressão até onde não se espera
Não bastassem as formas de opressão encontradas no nosso cotidiano, infelizmente ainda ocorrem manifestações de machismo nos espaços do movimento estudantil, o que significa uma grande incoerência, já que estes são lugares em que os debates sempre visam o fim da explo-ração humana. Recentemente, nas edições de alguns Encontros Nacionais de Estudantes, aconteceram fatos envolvendo a opressão de gênero. Isso é uma prova de que o tema precisa ser aprofundado e amadurecido, porque acreditamos que a discussão de uma nova sociedade passa pela construção de uma nova relação de gênero, e os movimentos precisam avançar nessa questão.
ENED e o caso Juliana Paes
A exibição de um pôster da Playboy, com a foto da Juliana Paes, foi o estopim de manifestações contra o machismo e a mercantilização do corpo feminino, durante o Encontro Nacional dos Estudantes de Direito (ENED). Outras práticas machistas já tinham sido detectadas do ENED, e as companheiras de Direito protagonizaram um grande questionamento de tais práticas nos fóruns do movimento estudantil. Um grande ato foi realizado, mas infelizmente muitos companheiros demonstraram reações machistas, inclusive com termos pejorativos contra as manifestantes. No entanto, algumas vitórias foram conseguidas, como a criação da Secretaria de Combate a Opressão como cargo da CONED; Grupo de Trabalho (GT) permanente sobre opressões, e que em cada ENED um painel seja destinado a discutir o combate à opressão.
Nacional de História e o FUDEH
Durante o Encontro Nacional de História (ENEH), os estudantes foram surpreendidos por um evento, chamado FUDEH, que rifava duas prostitutas e garantia aos contemplados a concretização dos ¿serviços¿ num motel, pago pela arrecadação da rifa. Chegou-se mesmo a realizar uma seção de strip-tease.
Aproveitando a programação do ENEH do dia seguinte, reservado para a discussão de gênero, foi construido um abaixo-assinado, moção de repúdio e uma manifestação. Na plenária final foi aprovada a moção de repúdio e ficou estabelecida a necessidade da discussão de gênero em cada base da Federação (FEMEH).
Opressão também no ECEM
A mesma forma escancarada de opressão às mulheres aconteceu no Encontro Nacional dos Estudantes de Medicina (ECEM).
O pior é que sempre que as mulheres levantam a voz, contrárias a essas atitudes, o machismo conservador se manifesta através de respostas pejorativas, envolvendo questões ligadas à sexualidade, mas sempre com a entonação de opressão às companheiras.
No caso do ECEM, também houve ato de repúdio ao machismo, contando inclusive com a participação de companheiros que também entendem a necessidade de avanço nesse debate.
12:00 AM
Vamos à luta:
Sábado, Fevereiro 26, 2005
A necessidade de discutir gênero
Através da necessidade de aprofundar a discussão sobre gênero na Universidade, romper com a prática machista, sobretudo no Movimento Estudantil (ME), efetivamos a idéia de criar o Coletivo de Mulheres da Ufal.
O grupo surgiu no final do ano passado, e desde então, nosso movimento gerou alguns debates e questionamentos (no cotidiano do ME, nos fóruns e nas nossas reuniões) sobre o tema, agregando companheiras (os) nesta discussão.
Por mais avanços que a luta feminista tenha obtido, é verdade que a discussão de gênero ainda está na pauta do dia. Não só na universidade, mas em todas as esferas da sociedade, infelizmente ainda vemos formas de opressão à mulher, manifestadas desde simples ¿brincadeiras¿ (cultural e socialmente construídas), até agressões físicas, ou mesmo uma diminuição do papel da mulher na sociedade. Há também a opressão disfarçada, que tenta, por ¿A+B¿, afirmar que a mulher já alcançou seu espaço, como se esssa luta tivesse sido superada. Há até companheiras que chegam a aderir a esse tipo de discurso.
Por entender que esta luta deve ser abraçada e bastante discutida, nosso Coletivo vai estar sempre propagando esse debate, através do nosso informativo e dos espaços de discussão, ao passo em que convida a todos e todas a fazerem parte também desta luta!
11:56 PM
Vamos à luta:
teste
1:50 PM
Vamos à luta:
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